Karl Popper é, de fato, um dos maiores pensadores do século 20, contribuindo para diversas áreas do saber.
Portanto, é fundamental saber mais sobre sua vida e obra, suas contribuições e até mesmo críticas de outros autores ao seu pensamento. Veja agora um artigo completo.
Quem foi Karl Popper?
Karl Popper foi um dos mais importantes filósofos do século 20, contribuindo para a área da filosofia da ciência, filosofia política e outras áreas.
De nascimento Austríaco-Britânico, o pensador rejeitou a visão indutiva clássica dentro do método científico, popularizando a ideia da falsificação empírica.
Assim, ele afirma que uma teoria dentro das ciências empíricas não pode ser provada, mas pode ser falsificada – ou seja, deve ser deliberada através de procedimentos experimentais.
Além disso, ele tem importante papel na discussão política por causa de sua defesa da democracia liberal e da crítica social que, segundo ele, podem alcançar uma sociedade verdadeiramente livre.
Biografia de Karl Popper
Karl Popper nasceu no ano de 1902 em Viena, segundo tradições da Igreja Luterana.
Seu pai, Simon Siegmund Carl Popper, era um famoso advogado de Viena, o que garantiu ao filho uma ascensão social rápida.
De fato: desde cedo, Karl Popper foi influenciado positivamente pelo seu pai na leitura e nos estudos, pois o famoso advogado tinha uma extensa biblioteca com mais de 12 mil títulos.
Aos 16 anos, Popper saiu do colégio e fez aulas na Universidade de Viena como estudante convidado, aprendendo assuntos como matemática, física, filosofia, psicologia e história da música.
O então estudante tornou-se adepto do Marxismo e entrou em um partido político marxista, mas logo abandonou esses ideais e passou a tornar-se um defensor do liberalismo social.
Após trabalhar na área da construção civil e fazer serviço voluntário com crianças, ele finalmente terminou seus estudos em 1922 e pode começar na Universidade de Viena como estudante comum.
Em 1924, ele tornou-se professor em uma instituição para crianças carentes. Além disso, ele continuou estudando filosofia e psicologia. Foi nessa época que ele conheceu Josefine Ann Henninger, que viria a ser sua esposa.

Vida acadêmica
Popper concluiu seu doutorado em psicologia em 1928, conseguindo também uma autorização para lecionar matemática em 1929. Em 1930, casou-se com Josefine Anna Henninger.
Preocupando-se com a popularidade crescente do Nazismo, o pensador mobilizou seus esforços para escrever um livro. Assim, ele poderia conseguir uma posição acadêmica em algum país que acolhesse pessoas de descendência judaica.
O pensador publicou o livro “A Lógica da Descoberta Científica” em 1934, responsável por divulgar a sua teoria da falseabilidade da ciência. Com isso, ele conseguiu uma licença não remunerada para estudar no Reino Unido.
Em 1937, ele tornou-se professor de filosofia na Nova Zelândia, movendo-se novamente para o Reino Unido apenas em 1946, depois da Segunda Grande Guerra.
Popper continuou sua vida acadêmica até 1959, quando se aposentou da universidade. No entanto, ele manteve-se intelectualmente ativo até o fim de sua vida.
O pensador e sua esposa preferiram não ter filhos por causa das circunstâncias da guerra no início do casamento.
Por fim, Popper recebeu dezenas de premiações e honras em todo o mundo, tanto durante sua vida quanto de forma póstuma.
Qual foi o pensamento de Karl Popper?
O que é o problema da falseabilidade de Karl Popper?
Karl Popper rejeitou a visão de Kant de que afirmações básicas são infalíveis. Além disso, ele foi crítico do empirismo e do método baseado em observação e indução que surgiu a partir dele.
Assim, o pensador afirma que teorias científicas são abstratas em natureza, podendo ser testadas apenas indiretamente através de suas implicações.
Dessa forma, ele propõe que o que confirma a veracidade de uma teoria científica é a possibilidade dessa teoria ser falseada. Não que ela seja falsa, mas que ela possa ser verificada e falseada. Se não puder ser falseado, o conhecimento não é científico.
Portanto, com um maior conhecimento dos procedimentos e conhecimentos científicos, a humanidade tenderia ao progresso.
Por outro lado, ele teorizou que teorias que não podem ser falseadas, como “o Sol nasce todo dia” não precisam ser trocadas por teorias falseáveis, e sim aceita por quanto tempo a teoria permanecer verdadeira.
Qual é a visão política de Karl Popper?
Karl Popper foi um grande crítico do historicismo, a teoria de que a história desenvolve-se de acordo com princípios e leis com um fim em mente.
Ele afirma, no entanto, que essa teoria gera a maioria das formas de autoritatismo e totalitarismo, além de ser fundada em assunções enganosas.
Assim, Segundo ele, não há força preditiva na história humana, uma vez que o indeterminismo metafísico e histórico andam lado a lado, de forma que nenhuma sociedade pode definir o futuro.
Particularmente, por causa de seu histórico com o marxismo na juventude, Popper viu que os trabalhadores e ativistas eram guiados como peões nos interesses egoístas do partido Marxista de subir ao poder.
Dessa forma, Popper criticou o historicismo marxista, alegando que este coloca a igualdade na frente da liberdade, o que acaba causando prejuízos à própria igualdade.
O paradoxo da tolerância
Apesar de ser propagador das ideias de tolerância, ele era contra a tolerância irrestrita, argumentando que esta levaria ao fim da tolerância.
Assim, se permitirmos a tolerância de forma irrestrita aos intolerantes, estes poderão crescer e diminuir as liberdades, fazendo com que não haja mais tolerância.
No entanto, ele diz que a simples supressão dessas ideias pode ser nociva, uma vez que ela pode crescer fora do radar. Sendo assim, é preciso mantê-las em cheque perante a opinião pública.
Além disso, Karl Popper argumenta que qualquer movimento que incite a intolerância deve ser perseguido criminalmente.
Filosofia da aritmética
Sua teoria da falseabilidade também se aplica às verdades matemáticas. Segundo ele, afirmações simples como “2+2=4”, teoricamente, não poderiam se provadas como falsas.
No entanto, a resolução para o problema foi a de que afirmações de matemática pura, como “2+2=4” são sempre verdadeiras, mas, quando essa proposição é aplicada em casos reais, como “2 maçãs + 2 maçãs = 4 maçãs”, sua falseabilidade pode ser testada.
Defesa da Racionalidade
O pensador afirmou que o princípio da racionalidade não está restrito apenas às teorias científicas, mas em diversas áreas.
Assim, ideias metafísicas, valores morais e até mesmo propósitos de vida poderiam ser avaliados segundo critérios racionais de falseabilidade.
O conceito de verdade
O pensador desenvolveu sua teoria de verossimilhança: a ideia por trás da teoria é de que afirmações ou hipóteses de teorias científicas podem ser medidas em relação à quantidade de verdade ou falsidade que elas contém.
Assim, uma teoria pode ser mais ou menos verdadeira do que a outra em uma base quantitativa. Popper ressalta, no entanto, que isso não tem relação com probabilidades subjetivas ou considerações epistêmicas.

O que é a teoria dos três mundos de Popper?
Segundo o pensador, existem três mundos:
- Primeiro: mundo físico.
- Segundo: o mundo mental, de ideias e percepções.
- Terceiro: o corpo e mente humana expressado de diferentes formas.
Assim, o terceiro mundo é o segundo mundo manifestado no primeiro.
Dessa forma, o total de conhecimento de um indivíduo deve-se também ao conhecimento total da humanidade ao longo dos séculos. .
Livre arbítrio
Na época de Karl Popper, discussões a respeito do determinismo relacionado com a física quântica eram muito discutidos por autores como Albert Einstein e também por Arthur Eddington. Ele afirmou que a liberdade provem da combinação da aleatoriedade e do controle.
“A liberdade não é apenas uma aleatoriedade, e sim o resultado de uma combinação sutil entre algo praticamente aleatório e algo como um controle restritivo e seletivo”.
Karl Popper era ateu?
Karl Popper já afirmou em uma entrevista que não estava certo da crença em Deus ou não, afirmando que aproximava-se mais do agnosticismo.
Além disso, ele foi um crítico da religião organizada, alegando que estas produziam fanatismo e traziam conflitos religiosos.
Por fim, o pensador diz que, apesar de não ser a favor da religião organizada, disse que deve-se respeitar aqueles que tem fé de forma honesta.
Quais são as principais críticas a Karl Popper?
A maioria das críticas ao pensamento de Popper referem-se ao problema da falsificação, com pesquisadores falando que proposições podem ser provadas por si mesmas.
Além disso, pensadores argumentam que, ainda que uma porção de uma teoria não seja falsificável, isso não a descarta completamente, podendo descartar apenas parte da teoria.
Outra crítica é a de que nem sempre é possível postar a falseabilidade de forma definitiva, especialmente quando se usam critérios estatísticos na análise de experimentos.
Assim, não fica tão claro se a evidência contradiz a hipótese ou se isso a evidência é que apresentou falhas durante o processo.
Outros filósofos, como Grunbaum e Roger Scruton argumentam que existem procedimentos dentro da psicanálise que são científicos e, por tanto, passíveis de falseabilidade.
No entanto, Scruton afirma que a escola psicanalítica é, de fato, não-científica em seu núcleo.
Outra crítica é a de que a fama de Popper contribuiu para a desclassificação dos filósofos de tradição continental do século XX.
Além disso, filósofos como John Gray argumenta que a teoria de Karl Popper invalidaria teorias científicas como as de Charles Darwin e Albert Einstein.
Por fim, muitos criticam a rejeição de Karl Popper a pensadores de peso na filosofia, como é o caso de Platão e Hegel.

Quais são os principais livros de Karl Popper?
Os principais livros de Karl Popper são:
Conjeturas e refutações
Esse livro é uma introdução ao pensamento de Karl Popper, sendo escrito pelo próprio pensador. Talvez seja o melhor livro para começar.
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A lógica da pesquisa científica
Nesse livro, o pensador fala sobre o método científico, mostrando a lógica por trás da pesquisa na ciência, mostrando que a ciência só pode ser definida por regras metodológicas.
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Os dois problemas fundamentais da teoria do conhecimento
Nessa obra, Popper trata de dois problemas importantes no campo científico:
- O problema da indução (ou seja, do conhecimento trazido por ciências empíricas).
- O que é ciência, quando ela acaba e termina, o que a diferencia.
Obra fantástica para aqueles que desejam saber mais sobre o método científico.
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A Sociedade Aberta e seu Inimigos vol. 1: o Sortilégio de Platão
Nesse livro, Popper afirma que o totalitarismo tem um histórico antigo, afirmando que Platão é um dos propensores das teorias totalitárias de estado.
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A Sociedade Aberta e seus Inimigos vol. 2: Hegel e Marx
No segundo volume, Popper mostra as bases totalitárias e anti-científicas provenientes dos pensadores Hegel e Marx.
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O conhecimento e o problema corpo-mente
A obra detalha pontos importantes da fase final do pensamento do autor, mostrando os problemas de interação entre os estados físico e mental do homem.
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Em busca de um mundo melhor
Nessa obra de natureza mais social, o autor analisa o pensamento de autores desde a Grécia Antiga até o Iluminismo, buscando fundamentos para uma ética atual.
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Popper: textos escolhidos
Por fim, a seguinte obra tem uma coleção de textos do autor em uma série de assuntos: epistemologia, filosofia da ciência, metafísica e filosofia política.
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Quais foram as influências de Karl Popper?
O seu contato e rejeição do Marxismo ainda jovem influenciou profundamente o pensamento de Popper.
Quando jovem, o filósofo aproximou-se dos ideais marxistas e considerou-se um comunista, mas logo se afastou desses valores e passou a considerar com prudência a necessidade de derramamento de sangue para uma revolução.
Além disso, outro ponto fundamental foi a falha nos partidos democráticos em prever a ascensão do fascismo e nazismo na Europa, fato que o marcou profundamente.
Como o pensador sofreu consequências diretas disso (sendo forçado a exilar-se por causa do regime nazista), ele lutou fortemente contra regimes totalitários, defendendo a democracia liberal.
Popper notou que havia uma contradição entre as teorias de Freud e Adler que ele considerava não científica. Por outro lado, teorias recentes como as de Albert Einstein tinham um profundo método e pensamento científico.
Ele chegou a concluir que seria impossível desmentir teorias psicológicas, chegando então à conclusão de que estas eram mais próximas de mitos primitivos do que de uma ciência genuína.
Assim, teorias psicanalíticas teriam sido criadas de forma que conseguissem refutar qualquer criticismo, além de conseguir explicar todas as particularidades do comportamento humano.
Ele concluiu, então, que essas teorias, por não poderem ser provadas como falsas, não poderiam ser consideradas científicas.
Qual foi a importância de Karl Popper?
Popper ajudou a estabelecer a filosofia da ciência como uma disciplina autônoma dentro do campo filosófico.
Além disso, ele foi professor de Imre Lakatos e Paul Feyerabend, dois dos maiores filósofos da ciência da geração seguinte.
Popper e Friedrich Hayek, importante economista da época, influenciaram-se mutuamente ao longo das décadas, sendo amigos próximos e chegando a dedicar obras um ao outro.
A influência de Popper foi muito além da academia: ele foi professor de George Soros, que mais tarde se tornaria um investidor bilionário e que financiaria diversos projetos voltados para a democracia liberal (inspirados diretamente pelo professor).
